Existe um comportamento desgastante do qual muitos de nós, com frequência, somos vítimas: ouvir as vozes críticas escondidas em nossa mente. Quer elas provenham de críticas externas, quer de nossos próprios medos e dúvidas, essas vozes negativas enviam mensagens de que não somos suficientemente bons, suficientemente gentis, ou suficientemente produtivos. A pesquisa mostra que o ecoar de pensamentos negativos em nossa cabeça aumenta nossas chances de depressão, nos isola dos outros, e inibe nossa capacidade de perseguir metas.

Veja o exemplo de Rajeev, vice-presidente executivo responsável por um negócio bilionário numa empresa de alta tecnologia, que foi vítima desse tipo de pensamento. Ele havia progredido rapidamente na carreira e tinha no currículo muitos negócios bem-sucedidos. Rajeev também tinha formado equipes que trabalhavam juntas com sucesso. Mas quanto mais ele ascendia na carreira, menos feedback recebia. Rajeev estava desesperado tentando descobrir o que ele poderia fazer para melhorar ainda mais sua eficiência. Ele me contratou como seus coach e me pediu para entrevistar 15 colegas de trabalho para poder entender melhor como eles o viam. Os resultados foram extremamente positivos. As pessoas valorizavam a inteligência e a perspicácia de Rajeev para os negócios e elogiavam sua capacidade de olhar para o futuro e tomar atitudes decisivas.

Mas Rajeev não via esse feedback positivo. Ao contrário, em seus reports ele amplificava as críticas negativas que eram muito menores, como por exemplo, que ele poderia se tornar tão focado numa meta que ignorava os relacionamentos pelo caminho, e seus colegas podiam acabar se sentindo rejeitados e pressionados. Rajeev estava desolado.

Esse feedback não era novo para Rajeev — e era válido. Mas não foram as verdadeiras percepções que impeliram Rajeev a entrar em desespero. Ao contrário, foi no tom de voz e na forma de expressar os comentários de alguns colegas. Era a voz deles que ele ouvia em sua mente. Essas vozes o fizeram enfurnar-se em seu escritório, diminuir o ritmo de trabalho e de produtividade e o impediram de tomar decisões importantes na empresa.

Rajeev precisa de uma estratégia para conseguir retomar seu caminho novamente. Alguns estudos sugerem que precisamos de cinco vozes positivas para cada voz negativa que carregamos dentro de nós para nos mantermos equilibrados, felizes, e produtivos. Felizmente, para Rajeev, ele não precisou procurar as outras cinco vozes — ele já havia redigido um report cheio delas. Ele simplesmente precisava usá-las.

Nós montamos um plano e ele seguiu quatro passos: Mostramos a seguir como ele transformou negatividade em produtividade:

Procure o positivo. Muitas vezes assumimos que o maior potencial para o aperfeiçoamento está em melhorar nossos pontos fracos. Mas aprimorar nossos pontos fortes também é importante. De acordo com uma pesquisa da Gallup, as pessoas que utilizam seus pontos fortes diariamente são seis vezes mais engajadas, e as equipes focadas em seus pontos positivos são 12,5% mais produtivas. Em vez de perguntar somente o que você fez errado, requisite também feedback positivo. Pergunte, “do que você mais gostou na minha apresentação?” ou “o que foi mais útil para você nessa rápida exposição?”

Ouça o positivo. Absorva. Muitos de meus clientes solicitam feedback positivo mas só começam a tomar nota quando começa o feedback negativo. Anote o feedback positivo para você saber o que deve replicar. Isso também sinaliza a quem forneceu o feedback que o retorno positivo é tão importante para você como os pontos a serem melhorados.

Esforce-se para entender o positivo. Permita-se se curvar e se regozijar com os aplausos. Pense num elogio que você recebeu recentemente. O que você fez em resposta? Você procurou se desculpar? “Eu tive sorte”. Você tentou minimiza- lo? “Eu recebi muita ajuda”. Na melhor das hipóteses, você provavelmente disse, “Obrigado”. Por outro lado, qual sua atitude quando alguém faz comentários negativos? Você faz perguntas e até pede exemplos. Transforme um elogio numa oportunidade de reunir exemplos concretos de como você é eficiente. Por exemplo: “eu estou muito feliz porque meu workshop o ajudou. E então, ele foi útil? O que, na minha apresentação, serviu para você aprender?”

Acredite no positivo, e aja como se ele fosse verdadeiro. Mesmo que você, de alguma forma, tenha se predisposto a seguir os três passos acima, ainda poderá passar um bom tempo acreditando no que as pessoas dizem a seu respeito. Talvez você se pergunte se quem forneceu o feedback não estava mal intencionado. Em vez disso, acredite que o que eles estão dizendo possa ser realmente verdade. É mais fácil fazer isso se você cultivar o que eu chamo vozes “Jalil”. Jalil foi a primeira pessoa em minha vida cujas palavras de encorajamento me ajudaram, e até salvaram minha vida. Descubra as pessoas com as melhores intenções e em quem você confia que está lhe dizendo a verdade. Ao ouvir repetidamente essas vozes, será maior probabilidade de você perceber seus aspectos positivos e internalizá-los.

Assim que Rajeev aprendeu a canalizar as vozes positivas em sua mente, ele não só se tornou mais produtivo, mas também mais consciente de seu tom com os outros. Quando as vozes negativas em sua mente se aquietaram, ele percebeu o que deveria dizer para ser uma voz positiva para seus colegas. Isso ajudou a libertar alguns de seus colegas de seus próprios pensamentos obscuros e também a melhorar sua produtividade — um círculo virtuoso.

Torne uma prática diária apontar numa direção com as chances de cinco para um. Você pode não saber exatamente quantas vozes positivas e negativas está permitindo em sua mente diariamente, mas quando você começar a acumular comentários positivos perceberá uma mudança no seu nível de energia e de produtividade. Com o tanque cheio, é mais fácil externar boa vontade e ser uma voz positiva para outras pessoas.

 

Por Sabina Nawaz/ Publicado por Harvard Business Review Brasil
________________________________________________

Sabina Nawaz é coach global de CEOs, oradora motivacional sobre liderança e escritora. Trabalha em mais de 26 países, aconselhando executivos de nível de chefia em corporações elencadas pela Fortune 500, agências de governos, organizações sem fins lucrativos e instituições acadêmicas. Sabina fez palestras em centenas de seminários, eventos e conferências, incluindo a TEDx, e escreveu para FastCompany.com, Inc.com, e Forbes.com, além da HBR.org

 
Comente o Post

orb.digital