Pode até parecer que planejar seus objetivos e metas para a semana, mês e ano seja um mapa para o sucesso. Mas será que uma estratégia mais casual e sujeita ao acaso poderia ser melhor?

 

Em artigo publicado na Fast Company, a colunista Stephanie Vozza diz que cria e segue planos financeiros, mas nunca de carreira. Ela diz que nunca teria pensado em se tornar colunista. Sua estratégia tem sido trabalhar um dia de cada vez e ver o que acontece.

“As pesquisas sobre a definição de objetivos são ótimas e terríveis ao mesmo tempo”, afirma Adam Galinsky, professor de negócios da Columbia Business School. “Objetivos pessoais podem ser bons para motivar quem quer um bom desempenho e se manter focado e engajado”, diz ele. Por outro lado, as metas podem levar a comportamentos indesejáveis e consequências prejudiciais. Confira: 

Seu foco pode ficar estreito demais
Objetivos podem ajudar a manter sua atenção, mas focos muito estreitos podem fazer com que os profissionais negligenciem outros aspectos importantes de sua carreira, argumenta Galinsky. “Esse foco intenso pode cegar as pessoas para questões importantes que parecem não estar relacionadas a seu objetivo”, afirma o especialista.

Bill Sanders, gerente de estratégia operacional da Consultoria Roebling Strauss, concorda que as metas podem acabar levando à “visão de túnel”: “Líderes que focam em um objetivo específico tendem a deixar passar formas alternativas de chegar a melhores resultados, a ignorar os sinais de alerta de que o ‘motor está muito quente’ e a não aprender com a trajetória, porque só pensam no destino final”.

Você sacrifica um objetivo por outro
Outro problema de estabelecer metas muito específicas é que isso pode te levar a fazer escolhas ruins. Os profissionais com múltiplos objetivos estão propensos a se concentrar em apenas um deles, ignorando os outros, diz Galinsky. “As metas que são fáceis de atingir e medir (quantitativas) podem receber mais atenção do que outras (qualitativas)”, afirma.

Metas podem limitar o desempenho
As metas podem se tornar tetos, em vez de pisos, para o desempenho, defende Galinsky. Isso porque, assim que o objetivo é alcançado, as pessoas relaxam, descansam e param.

Um estudo realizado pelo Departamento Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA mostrou por que é tão difícil encontrar um táxi em Nova York em um dia de chuva. “A maioria das pessoas culpa a alta demanda: quando está chovendo, mais pessoas escolhem usar o táxi do que em um dia de tempo aberto”, diz Galinsky. “Mas, na verdade, a oferta é a maior culpada”. Segundo a pesquisa, a maioria dos taxistas estabelece uma meta diária. Em dias de chuva, eles conseguem a quantia estipulada mais rápido, e vão para casa.

Objetivos podem promover comportamentos antiéticos
Os objetivos precisam ser desafiadores o suficiente para incentivar esforço e melhora do desempenho, mas não difíceis demais a ponto de os funcionários nem tentarem alcançá-los. Se um chefe determina metas difíceis demais, os funcionários podem acabar tomando riscos elevados e até comportamentos ruins, diz Galinsky.

Quer um exemplo? “Na unidade de serviços automotivos da Sears, os funcionários passaram a cobrar os clientes por reparos desnecessários a fim de alcançarem metas específicas e desafiadoras”, afirma. “No fim da década de 80, os funcionários da empresa Miniscribe enviaram tijolos aos consumidores, em vez de produtos para alcançarem a meta de entregas. E, em 1993, trabalhadores da Bausch & Lomb falsificaram relatórios financeiros para bater a meta. Em cada um desses casos, objetivos específicos e desafiadores demais motivaram os funcionários a tomar comportamentos antiéticos”.

Você passa a ver falhas que não existem
Não alcançar objetivos específicos, mesmo que por pouco, pode ser interpretado como uma falha, o que limita o potencial do trabalhador, defende Sanders. “Ainda que você tenha um desempenho melhor do que outros, tenha aumentado os lucros mais do que qualquer um imaginava ser possível e melhorado processos, você pode acabar sentindo que falhou se não alcançar uma meta específica”.

Os objetivos podem desencadear essa sensação de fracasso, diz Anisha Vinjamuri, CEO da consultoria InnovationsIQ. “O cérebro está programado para buscar recompensas e evitar dor ou desconforto, inclusive medo”, afirma ela. “Quando o medo de falhar se instala na mente da pessoa que estipulou a meta, ela começa a ficar desmotivada e a desejar voltar ao ambiente conhecido, ao comportamento confortável”.

Planos restritivos eliminam a aleatoriedade
A inovação vem de um certo grau de caos e aleatoriedade, diz Anisha. “O estabelecimento extremo de metas acaba com a criatividade”, diz ela. “Isso cria uma cultura de mentalidade fixa, em vez de uma mentalidade que visa crescimento”.

Isso também afeta mudanças pessoais. “Para ser bom em qualquer profissão, é importante reconhecer o que nos motiva periodicamente e realinhar nossas trajetórias profissionais para que elas conversem com o que gostamos de fazer, porque tendemos a nos esforçar mais quando estamos satisfeitos e felizes no trabalho”, afirma Anisha. “O crescimento real vem de sermos capazes de lidar com a aleatoriedade. Muito disso significa ter alguns traços positivos de personalidade que são essenciais para crescimento em qualquer profissão, como flexibilidade, adaptabilidade, pouca resistência a mudanças e abertura a novas ideias”.

 

 

Publicado por Época Negócios

 
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