Certa vez fui chamada às pressas para substituir um palestrante em um evento para gestores de Remuneração e Benefícios! Resultado? Foi um fiasco. Além de chocar a audiência ao falar sobre “benefícios emocionais” que a empresa obtém quando tem um propósito claro e uma cultura orientada às pessoas, recebi questionamentos hostis e deixei muita gente desconfortável.

Saí daquela sala de hotel frustrada como palestrante, mas refletindo sobre uma pergunta que me acompanha há anos: as áreas de RH estão preparadas para lidar com as profundas transformações organizacionais que estamos observando nos últimos anos?

Antes de qualquer conclusão precipitada, penso que vale usar empresas como Uber, Airbnb e Waze como boas referências de organizações exponenciais* que, por definição, significa:

“Aquelas cujo o impacto (ou resultado) é desproporcionalmente grande – pelo menos dez vezes maior – comparado ao de seus pares”

Além de revolucionarem seus setores, essas empresas também refletem um novo (nem tão novo assim) conceito social que, atrelado ao uso da tecnologia, impacta todas as pessoas e, portanto, todas as organizações. Esse “novo’ conceito envolve muitos elementos, mas aqui destaco dois:

  1. Propósito: já foi o tempo que trabalhar servia apenas para ganhar dinheiro. Se antes buscávamos significado em outras áreas de nossas vidas, agora também desejamos um trabalho significativo; O propósito do Airbnb é fazer você se sentir em casa em qualquer lugar do mundo, e por acreditar nisso é que a empresa possui não só funcionários felizes, mas também milhões de anfitriões e viajantes que são verdadeiros embaixadores dessa causa.
  2. Engajamento: somos seres sociais e, quando estamos conectados pelo mesmo propósito, nosso instinto natural é colaborar com a comunidade. Se você usa o Waze, o simples fato de dirigir com o aplicativo ligado já te torna um colaborador dessa rede.

As empresas conhecidas como organizações exponenciais trabalham muito bem estes dois elementos e conseguem mover multidões. E o seu RH? Está investindo de forma eficiente nestes dois temas? Infelizmente vejo mais discurso do que prática.

Assim como os meus colegas de remuneração e benefícios não receberam bem a ideia de que a remuneração emocional deveria ser uma pauta deles, noto muitos profissionais de RH defendendo cegamente práticas de gestão de pessoas totalmente desalinhadas com as necessidades atuais.

Torço para que isso mude rapidamente, pois das duas uma: ou as equipes de RH serão totalmente substituídas por pessoas sem apego aos velhos dogmas ou ninguém mais vai querer trabalhar na sua empresa.

* Organizações Exponenciais, livro de Salim Ismail, Michael S Malone e Yuri Van Geest publicado pela HSM. Vale muito a leitura!

 

Por Gabrielle Teco, executiva de Marketing & RH/ Publicado por HSM/blog

 

Sobre Gabriela Teco - Jornalista de formação e curiosa por convicção, escrevo e palestro sobre coisas que me interessam: de alimentação saudável a empreendedorismo, pois essa diversidade me instiga e diz muito sobre mim. Técnica em nutrição, pós graduada em marketing, trabalhei por quase 10 anos em startup, passei pelas melhores universidades do país e já vivi uma experiência incrível em Stanford. A real é que a vida é um mundo de possibilidades. Restringir pra que?

 
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